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Nem todo "gordinho" precisa de cirurgia e engordar uns quilinhos para fazer bariátrica é o pior conselho que você pode receber

19 de outubro de 2015

Não, nem todo mundo que é gordo, gordinho ou “fora do padrão imposto pela mídia” precisa de cirurgia bariátrica. Eu sempre penso muito antes de escrever meus textos do #VaiGordinha para ao Lado B, e dessa vez, escrevo no dia do médico, dia 18 de outubro. Quando as pessoas que me conheceram com quase 170 quilos me param e me perguntam como estou e vêem que sim, apesar das mudanças e dos percalços eu estou bem, visto que já emagreci mais de 60 quilos, um dos comentários que ouço é: “Ah, eu preciso de uma cirurgia dessas!”.

Claro que eu não tenho que ser fiscal da obesidade de ninguém, nem tenho o direito ou conhecimento técnico-científico para apontar nada para ninguém, mas juro, quando a pessoa pesa menos de 80 quilos e é só “gordinha” e me fala uma coisa dessas, o meu olhar é fulminante.

Gente, sério mesmo, cirurgia bariátrica não é uma cirurgia estética, que as pessoas fazem por bel prazer ou porque estão com preguiça de dieta e tratamentos para emagrecer. Cirurgia bariátrica é uma intervenção séria, necessária em casos de IMC que apontem obesidade ou em casos de comorbidades como diabetes, problemas de coluna e articulações, cardíacos ou alguém igual a mim, que tinha um IMC 63, considerada obesidade mórbida. E há casos que o IMC entre 30 e 35 culminado com doenças metabólicas, pode haver indicativo cirúrgico, por isso mesmo a cirurgia popularmente chamada de redução de estomago, na verdade é a cirurgia bariátrica e metabólica.

E voltando as vacas frias, tudo isso aprendi acompanhando a vida de várias e várias pessoas que se submeteram a essa cirurgia e algumas que não precisaram, e sim, conseguiram deixar a casa dos três dígitos com dieta e exercícios, porque não havia nenhum problema metabólico na parada.

E quando ouço pessoas – homens e mulheres, diga-se de passagem, dizendo: “Ah, eu luto tanto para perder cinco quilos” ou “seria tão bom se eu não conseguisse comer nada”, a vontade é falar tudo aquilo que enfrentamos no dia a dia, desde o primeiro dia no hospital até as mil vontades que enfrento (posso sempre falar por mim) na rotina diária de até sonhar que estou comendo um simples prato de lasanha, e nem precisa ser um pratão, ou não passar mal porque estou conversando com os amigos durante o almoço. Ah, e também o sair correndo da mesa de reunião de pauta, porque a “baba branca do alien” resolveu subir devido ao tempo que não dei entre a refeição e um copo com água ou por não ter mastigado direito aquele bendito pedaço de carne.

Com isso, cada pessoa que me procura diariamente para questionar se deve ou não fazer a cirurgia ou mesmo comentar sobre o médico tal que diz que é só “engordar um pouquinho”, eu só posso orientar que sou muito grata a equipe médica que me atendeu com doutor Cesar Conte e James Câmara, e que médico que diz para “engordar uns dez quilos”, desculpa, eu não considero confiável, porque mesmo engordar em demasia é uma agressão ao nosso organismo, e falo isso com a experiência de quem viu o ponteiro da balança saltar para quase 170 quilos, e nem foi para conseguir uma cirurgia. E meu médico, dr. Cesar, foi como sempre, um grande profissional, sempre me orientando desde os 120 quilos que fui na primeira consulta até os 166,5 que operei. E só posso agradecer a ele por agora “ter pescoço” (risos).


Ah, e só um aviso: médico que cobra para passar paciente na fila do SUS está lesando paciente duas vezes e pode ser denunciado por isso. 



Booooooooooom dia pessoas lindas!!! Nosso texto no #VaiGordinha de hoje!Apesar de não termos o direito de ser fiscal da...
Posted by Liziane Berrocal on Segunda, 19 de outubro de 2015

Chamar de magra é elogio?

13 de outubro de 2015

Sabe aqueles dias em que você acorda, meio assim, sei lá? Então, daí eu tinha um material para escrever sobre comida. Pois é, eu, bariátrica escrevendo sobre comida. Gente, que difícil. E comecei a lembrar da minha mãe, e como deve ter sido a gestação dela, quando estava me esperando. Vai fazer um ano que minha mãe se foi no próximo dia 22 de novembro, e lembrei então que há nove meses, fiz a minha cirurgia bariátrica.

Claro que a primeira coisa que lembrei foi que nove meses depois nasceu uma nova mulher. Não, não é metáfora ou brincadeira, mas sim uma nova pessoa que renasceu por meio de um procedimento cirúrgico. Eu tenho umas paranoias que nunca tive, confesso, de me olhar no espelho e às vezes achar que estou vivendo um sonho, ou um pesadelo, e acordar e não ser nada daquilo que eu estou pensando. Até que olhei uma foto com um vestido em uma cor que eu nem tinha gostado muito.
Estava meio frio, eu gosto de decotes e o vestido não tem decotes... Mas ia para um programa de TV, e acredito que cabia na ocasião. Calcei um sapato de salto com bico fechado, estilo boneca, do jeito que eu queria usar. Antes de ir, passei na minha irmã. O Pedro é o meu “espelho”, quando ele acha que está bonito, ele fala na cara dura, e quando não.

Desci do carro e ele veio ao portão me receber. “Tia, tia, como você está magra!”
Eu abri um sorriso! Meu Deus, quando eu pensei que ser magra seria um grande elogio para uma mulher que ainda pesa cem quilos??? Não, aquilo não estava acontecendo. E pedi uma foto para meu marido. Afinal, eu estava feliz com o vestido, definindo melhor a minha silhueta, a cintura ali, aparecendo, mais fina... Corrige a postura! Gritou minha sobrinha...
Quando olhei aquele retrato, com caras e bocas, de cima para baixo e de baixo para cima, tentando perceber o melhor ângulo, aquela coisa de mulher, me descobri vaidosa e cheia de mim, porque vi ali que todas as fotos me agradavam de certa forma, porque nove meses depois, eu mesma pari uma nova mulher...

E pronto! A foto com o vestido que estava guardado, para uma ocasião especial, e aquela era uma ocasião especial, eu estava usando uma roupa para mim. Na verdade, eu acho que me assustei, porque eu estou numa “nóia” de reganho de peso e de efeito platô (quando estacionamos num peso) e pensando que meu sonho é pesar 98 quilos.
Meu Deus, quem no mundo quer pesar 98 quilos? Que mulher sonha em pesar 98 quilos? Pois é, eu mesma. Eu sonho com isso, sempre, e correr literalmente atrás dos 98 quilos não é fácil para quem já pesou 170 quilos e sabe que nunca vai ser “corpo padrão”.
Lembrei de todas as vezes que senti vontade de comer algo e não poderia, ou daquelas que passei mal, porque eu lindamente insisti em comer e percebi que meu estômago não é mais o mesmo, mas que vamos lá temos que nos conformar e a vida continua, só que de outra forma, e com tantas mudanças que nove luas trazem.

Eu ainda não sou mãe, de parir, mas imagino que não é fácil dar à luz. Assim como não foi comigo, me “parir” e dar à luz a uma nova pessoa que saiu da escuridão de uma doença cruel que é a obesidade – e, por favor, não pensem nisso como gordofobia, porque quem sabe o que é entalar na roleta da catraca do busão e ser alvo de ofensas apenas por ser gorda, sabe o que eu estou falando.
E ao postar a foto nas redes sociais, entre os inúmeros elogios e mais de 500 curtidas, me veio uma noção de como temos noções disformes de nós mesmos algumas vezes. Eu percebi que meu sonho ainda é pesar 98 quilos, mas me senti realizada, bem realizada em ser apenas chamada de “magra”. E olha que isso nem deveria ser um elogio... Mas olhando bem as fotos de antes e de agora, até que estou assim, “magra”...



Texto do #VaiGordinha e ainda me pergunto: chamar de magra é elogio? Eu e minhas noias paranoicas de cada dia! :D
Posted by Liziane Berrocal on Terça, 13 de outubro de 2015

Sempre fui a amiga mais cheinha, e que bom que minhas amigas não se envergonham disso!

6 de outubro de 2015

A polêmica da vez são as amigas mais cheinhas. Então, sei que ninguém é balão para ficar cheia ou vazia, ou copo, ou sei lá, porque somos seres humanos, mas vamos lá discorrer sobre, mais uma bobagem do “mundo belo e formoso” de lá de fora, onde transformam em celebridade alguém que faz culto ao corpo, e acha que só seu corpo é perfeito, porque é um “corpo em forma”.

Em forma do que cara pálida? Em forma de anabolizantes ou de falta de cérebro? Ou em forma de suplementos e afins? Ou poderia ser mesmo em forma, mas não da forma que as pessoas querem impor e sim em forma daquilo que realmente cada um quer.

Quando eu pesava 166 quilos, eu brincava que sim, eu tinha o corpo em forma. Em forma de bola! E ria, mas era meu jeito mesmo. Ainda tenho forma de bola, e fico abismada em como as pessoas querem moldar as outras por aquilo que elas acreditam que é certo.

A “bola da vez” são as “musas fitness”. Quem são elas? Só procurarem, mas tem uma, que sinceramente não quero nem saber. Mas vou falar dela mesmo assim. Lala Noleto. Claro, que eu, nunca tinha ouvido falar até ela dar uma declaração idiota e preconceituosa para a revista Veja SP.

“Lalá Noleto foi a primeira a mudar de rumo. Achava-se enorme com 1,65 metro de altura e 64 quilos. Em 2011 entrou num spa. “Não poderia ficar longe das minhas fãs, então decidi postar meu dia a dia lá.” Nas fotos da hashtag #projetolalanoleto, só entram outras blogueiras e celebridades. “Quando coloco amigas ‘cheinhas’, o pessoal critica, diz que elas são feias, aí eu fico com vergonha e deleto o post”, justifica Lalá."

Vamos por partes. Lalá Noleto é advogada e se achava enorme com seus 64 quilos. Pois é. Ela entrou num SPA (claro, tem que ter muita grana para isso), mas acredito que enorme mesmo era sua baixa autoestima, visto que, uma pessoa que não se ama, seja no peso que for, e tem essa necessidade de aceitação alheia tão grande, que não consegue se olhar no espelho.
Sobre as amigas mais “cheinhas”. Gente! Eu sou a amiga mais cheinha de TODAS as minhas amigas. Sempre fui, desde a adolescência! É só ver pelas fotos, e quer saber, acho que sou mesmo, a mais cheinha de alegria, a mais cheinha de auto-estima, a mais cheinha de modéstia (ops!) e também a mais cheinha de personalidade!

Lembro que uma vez, fui a um bar jogar sinuca com minha melhor amiga, a Luciana, que eu chamo de marida, e um cara foi super babaca comigo, e chegou nela tentando “brincar” com minha forma de bola. 

Ela foi direto ao ponto e queria dar uma tacada na cabeça do cara.
Nessas horas, sabe o que eu penso? Que bom que eu sou amiga de gente que nem a Luciana, e não que nem a Lalá Noleto, já pensou que triste, você ter uma amiga que tem vergonha de você por você ser mais cheinha?

Deus me livre! Eu que teria vergonha de ter uma amiga assim!

Sempre fui a amiga mais cheinha das fotos, e nunca tive vergonha disso! 



Nessas horas, sabe o que eu penso? Que bom que eu sou amiga de gente que nem a Luciana, a Heloisa, a Danielle, a Carla,...

Posted by Liziane Berrocal on Terça, 6 de outubro de 2015
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