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Quais foram suas promessas? Para mim, foi deixar 67 quilos para trás

2 de janeiro de 2016

Você lembra das promessas que fez em 2014? Para 2015? Eu, em dezembro de 2014 já estava de cirurgia marcada e saberia que a data da minha mudança seria 14 de janeiro de 2015, data em que eu comemoro meu “ano novo”.


Pois bem, uma das minhas metas de 2015 era essa: emagrecer! Claro, que eu fui para mesa de cirurgia me pelando de medo de morrer, óbvio! Um procedimento daqueles que deixaria qualquer um nervoso, mas eu não perderia a chance. Nessa mesma época, eu soube que tinha um pequeno tumor no duodeno que fez com que eu sentisse vários tipos de medo, entre eles o de não poder fazer a cirurgia. Felizmente a equipe médica do doutor Cesar Conte não desistiu de mim e poucos dias antes do ano acabar, ele me tranqüilizou que sim, eu faria a cirurgia.

Eu pesava cerca de 170 quilos. E minha meta número 2 era eliminar 60 quilos. Então meu médico me explicou que a técnica sleeve levava a um emagrecimento mais lento, visto que eu não teria desvio de intestino. Mas eu não poderia desistir! A meta médica era quantos? Não lembro, sei que era 50, no primeiro ano.

Então aquilo que me faz sorrir ao escrever se tornou uma realidade na minha vida: eu emagreci 67 quilos. Pesados ontem! Maravilhosos SESSENTA E SETE QUILOS. Claro, que minha meta era emagrecer 71 e terminar o ano nos dois dígitos, e apesar de eu ainda ter mais uns dias para o ano acabar, eu acredito que não vou conseguir.

Mas não me sinto frustrada, porque fiz tudo ao meu ritmo, e às vezes com alguns excessos. Teve dias que eu deixava minha nutricionista Mariana Corradi louca da vida, eu confesso. Bem como o fato de eu comer doce e fritura e não sentir nada, nada, nada, enquanto a maioria das pessoas tem dumping e passam muito mal, eu me sinto um avestruz com o estomago pequeno.

Claro que não vou dizer que tudo são flores. Às vezes para mim, sair de casa é um martírio sem fim! Se for para comer, eu me sinto mal mesmo, porque sinto vontades (cabeça de quem tinha estomago grande), muitas vezes os cheiros que as comidas exalam ou até mesmo perfumes me fazem passar mal.

Mas olhando para trás, os meus planos de 2015 eu acredito que sim, apesar de não ter alcançado os dois dígitos: FOI O ANO!

E sabe o que é mais legal que entrar em uma calça 48 (eu usava 64) ou usar um salto o dia todo e não morrer de dor? Muito mais legal que pesar 103 quilos (meu peso atual depois de um mês em efeito platô) ou poder subir as escadas do jornal sem desmaiar no final, é que eu durante todo esse ano dividi isso com vocês, leitores do Lado B e do Vai Gordinha.

Foi um ano em que cada pessoa que me mandava uma mensagem, cada pessoa que me dizia: “Olha, eu te sigo no Campo Grande News” ou que gritava “Vai Gordinha” quando me via na rua, cada um de vocês fizeram com que cada quilo valesse mais a pena.

Se eu ainda penso em emagrecer mais? Claro! Agora, com bem menos peso eu já posso fazer academia e estou arriscando já. Continuo não sendo uma defensora perpétua da cirurgia discriminadamente, e acredito sim que a bariátrica é só um apoio, para quem como eu precisava da cirurgia para ajudar a sair da escuridão da super obesidade.

E pensar que há um ano, eu nem imaginava que eu estava precisando tanto dessa ajuda. Eu pensava que seria só emagrecer e pronto. E nessa caminhada onde descobri que é um caminho longo e por vezes tortuoso, ter a companhia dos leitores foi essencial para as vitórias do dia a dia.

E nos planos de 2016? Sim, continua pesar menos de cem quilos! É meu sonho pesar 98, falta bem pouco, só cinco quilos! Mas para quem emagreceu 67 quilos e tem a melhor platéia do mundo, esses cinco quilos serão muito mais fáceis de deixar para trás e bater a meta, mesmo que seja só no ano que vem, afinal ele está bem ali!

Como não posso deixar de falar de comida, no frigir dos ovos, posso dizer que o que mais me deixou feliz da vida foi falar sobre a obesidade de forma escancarada num espaço como este, onde falamos de preconceito e gordofobia! E posso dizer: MUITO OBRIGADA!

E você? Quais os seus planos para 2016? Vem comigo? Bora ser feliz?

Amar Padre Fabio de Melo é fácil, mas uma frase é sensacional

29 de dezembro de 2015

Um ícone não só na Igreja Católica o Padre Fabio de Melo simplesmente tem arrebatado internautas Brasil afora. E Sim, ele merece. Tem gente que até queria "chegar por último" só para ser mulher do Padre de tão lindo que ele é.

Eu por exemplo, nem sou católica, mas tem frases dele que me cativam tanto (hahahah você vai entender o hahahaha ao final desse texto). Segundo muitas publicações (sei lá de onde surgiu) neste final de ano, voltou a circular nas redes um trecho da entrevista dele para a jornalista Marília Gabriela em que ele é bem crítico quanto ao comportamento das pessoas nas redes sociais.

No programa, que foi exibido no dia 17 de maio de 2015, Fábio de Melo opinou que "muitos relacionamentos virtuais são feitos a partir de idealizações".
"Muitas vezes na relação idealizada a gente abre mão do que é real, aí vamos viver imaturos a vida inteira, com as frasesinhas do Pequeno Príncipe, que eu acho que deveriam ser abolidas da humanidade."

Temos também frases dele no Twitter, que são necessárias para a vida, tipo essa: 


Ou uma frase de auto-ajuda que ajuda sim, e óh se ajuda! 


Mas uma frase do padre bonitão (não é pecado, porque ele é bonito memo) me deixou muito, muito fã dele. Ele usou a entrevista para exemplificar com o famoso trecho "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
"Escuto toda hora porque os carentes de plantão me ameaçam com essas frases. Você tem uma pessoa desequilibrada afetivamente [e ouve isso dela]. Eu tenho de dar conta da minha vida, eu não tenho que jogar para você os fardos que são meus."

Agora me diz, tem como não amar um cara que diz: "eu não tenho que jogar para você os fardos que são meus?"

Vlw Fabio de Melo, o senhor deu voz a muita gente!

Feliz 2016 ❤

Retrospectiva: acredite, ninguém é gordo porque quer

28 de dezembro de 2015

Oi Pessoal, esta semana vamos fazer uma retrospectiva do ano e que fez nascer o LiziPLus!!!
Vou começar com nossa primeira coluna no #LadoB do Campo Grande News!

"Meu nome é Liziane Berrocal, sou jornalista, sou feliz (às vezes sou triste), mas tenho uma peculiaridade. Sou GORDA. Aliás, sou imensa. Sou muito gorda e, quando olho no espelho, tenho certeza disso. Então, resolvi mudar de vida e escrever sobre. E durante meu pré-operatório para a redução de estômago, vou escrever o Lado A e o Lado B de ser tamanho GG. Hoje, começo falando sobre como se descobrir gordo.

Para começar, peço a você leitor: acredite, ninguém é gordo porque quer. É uma frase clichê, que eu já ouvi muito, mas ao contrário. Mas tenha certeza, não está nos planos de ninguém pesar mais de 100 quilos e ser chamado de apelidos carinhosos como “chupeta de baleia”, “rolha de poço”, “próprio CEP”, “gorda baleia”, “lutador de sumô” e afins. Nem ser referência ou algo que o valha.

Eu por exemplo não escolhi. Nasci gorda, com quatro quilos, quase matei minha mãe no parto (segundo me contam) e desde pequena sempre fui a gordinha bonitinha. Meus tios me adoravam, eu recitava poesias, cantava no Mobral (pergunte ao seu pai se não souber o que é isso) e era a sensação da vizinhança. Um amigo da família me chamava de "bujão" e era uma “graça” aquilo.


O roliço vai crescendo... e é aí que o bicho pega, porque alguém se esqueceu de falar que ao crescer, você não é mais sensação. Um gordo ou uma gorda é sempre motivo de piada quando cresce. E nem venham dourar a pílula, porque pode até ser o engraçado da turma, mas é fuga, pura fuga.

Eu era a engraçadona da turma. A que brincava, a que achava graça das piadas que fazia de si mesma, e que metia mão na cara da gurizada quando era alvo de tiração de sarro.

Também era a mais inteligente (me esforçava muito para isso) e a mais popular, o que é uma façanha para uma gorda. Jogava handebol, tocava na banda, comecei a fumar muito cedo, brigava na rua, fui do grêmio escolar, tinha peitos, montei um jornal, tinha um programa às sextas-feiras no palco da escola, era a amigona das meninas, fazia piadas e contava piadas, enfim, tudo que pudesse me fazer popular e a alegria da turma. Mas tinha um lado ruim nisso tudo, hoje, eu percebo que era só uma máscara.

Eu odiava aquela gente, odiava o que eles faziam comigo. Toda vez que tinha qualquer discussão, qualquer briga, eu era de novo só a gorda. E aprendi a agredir, porque era agredida.
Duas situações me deixam isso muito claro. Primeiro me lembro de dois colegas, que também eram gordos, mas não eram populares. Theo e Mirela. Ele era gordo e muito alto, além de ser muito quieto e menos acelerado que eu. Ela era baixinha e usava umas roupas esquisitas, na verdade era meio brega. E eu? Gorda também tirava sarro deles, sem dó nem piedade.

Também me lembro quando todos estavam brincando de corredor da morte (uma brincadeira besta onde ficam pessoas de ambos lados dando chutes e socos em quem passa) e eu era a única menina que participava.

Hoje, mais adulta, eu fico me perguntando por qual motivo eu me submetia a tudo aquilo. Hoje, percebo que sim, era pelo simples fato de ser gorda e sendo assim, eu conquistava o respeito daqueles idiotas.

E você, achava realmente que alguém quer ser constante alvo de agressão? Imagine ser gordo?

Sim, com 170 quilos eu me achava IMENSA!

13 anos longe das drogas, e apesar de tudo um capítulo bom para lembrar

17 de dezembro de 2015

Oiii Pessoas lindas! Fiquei meio longe por questões de trabalho, mas hoje é um dia ESPECIAL!


Essa não é a primeira vez que escrevo de maneira tão aberta sobre um assunto tão particular, e apesar de saber que é tão arriscado (o preconceito é muito grande),  também sei que pode salvar vidas!
Hoje, completo 13 ANOS LIMPA! Ou seja, são nove anos em que eu decidi ter uma nova vida! TREZE ANOS anos que eu resolvi largar o vício das drogar por uma nova vida!

Foi uma decisão extremada, difícil e que me fez sentir aquelas "coisas de novela", mas que me trouxe muito mais VIDA. Era 15 de dezembro de 2002, quando pela última vez fiz uso de "substância entorpecente". Eu estava em Marília (SP) onde cursava faculdade de Pedagogia na UNESP. Então, no outro dia, embarquei para Campo Grande. Cheguei no sábado onde fui em um show de um grupo com o nome "Realidade Cruel" onde o MC Douglas que cantava a música "Depoimento de um Viciado".

A música mexeu muito comigo, me deixando quase que anestesiada. Eu que na época estudava "cultura marginal" me vi naquelas palavras. Então começou ali a minha luta. Conversei com o Douglas e contei a ele que iria parar. Não dava mais! Era muita "treta". O cantor e compositor de rap me incentivou. Me deu um abraço e falou:

"Vai com Deus mina, ainda quero ouvir sua história". 


Então eu parei. Foram vários obstáculos, várias dores, brigas, mas eu iria reconstruir a minha vida. Porque o mundo das drogas é um mundo de violência e loucura. E não sejamos hipócritas, um mundo "deliciosamente louco".

Eu não esqueço disso! E tempos depois, tive a oportunidade, quando escrevi um livro sobre criminalidade, de contar minha história para ele. Isso foi em 2006 hein!

Quem fala que droga é só parte ruim não sabe a sensação de certas coisas. Porém, as consequências são terríveis! E sim, você perde a noção! Você perde tudo e aquilo que se vê nas novelas, nas propagandas e na imprensa é tudo realidade.

Eu não precisei ir até uma entidade religiosa – mas super indico os trabalhos realizados pelas igrejas, mas buscamos ajuda médica e psicológica para aguentar o tranco. Buscamos sim, pois a minha família foi junto! Minha mãe, mesmo sem paciência e me dando uns petelecos de vez em quando e minha irmã Lais, sempre me apoiando. Posso dizer, que se hoje eu vivo também pra minha irmã, é porque ela – para a Honra e Glória do Senhor salvou minha vida!

Foram vários medicamentos, várias visitas ao NA e AA (sim, a dependência cruzada faz com que o usuário em manutenção acabe abusando do álcool) e muita luta. Foram também lutas intensas durante internações. Uma sala inteira me dando força - Jornalismo 2006 da UCDB, e poucos amigos que ficaram.

Prefiro não discorrer sobre o que eu usei, mas até a "praga do século" entrou nas minhas baladas da mente abalada. Eu posso dizer que cheguei bem pertinho do abismo!

Mas aí, eu consegui! Vejam só! TREZE ANOS de uma nova vida!!! E olhem, eu continuo em manutenção! Manutenção eterna.

Já me perguntaram se não tenho medo de falar sobre isso. Claro, nem tudo são flores. Algumas pessoas ainda tem preconceito, tratam com ignorância, mas isso já não me abala. Hoje, eu falo abertamente sobre o assunto e inclusive já dei algumas palestras sobre o uso e abuso de drogas em escolas e outros lugares.

Minha experiência não é exemplo para ninguém, é uma experiência. E sempre lembro os adolescentes que converso: "Não adianta dizerem que é só um golinho, só um traguinho ou só um tirinho, o bagulho é louco e 90% das pessoas não tem a mesma sorte que eu tive".

Ou seja, é preciso continuar tratando o assunto com realismo e sinceridade. E é isso.

Hoje, eu tenho uma vida normal! Sou uma profissional, filha, tia (que pega no pé dos sobrinhos e eles sabem da minha história!), irmã, amiga e esposa. Já não bebo mais, estou vencendo outra doença chama obesidade e aprendi a confiar mais em mim.

E querem saber? Diante das estatísticas, sem modéstia nenhuma: eu tenho ORGULHO DE MIM! Mas tenho mais orgulho ainda de ouvir das pessoas que elas se inspiram em exemplos assim.

E dividir isso com vocês, é a melhor parte disso tudo! E digo, se você tem alguém, ou é alguém, nessa situação, tente, tente outra vez, e mais uma, e mais uma... Há esperança para você!

Porque eu lembro bem, quando fazia apenas treze dias, o que eu mais queria era usar de novo!
E hoje, o que eu mais quero é VIVER! E VIVER MUITO!!!!


Fiquem com Deus, e se alguém quiser ouvir a experiência completa, temos uma turma boa aí para fazer palestra!

Depois da bariátrica...a revolução das Calcinhas não será televisionada‏

9 de novembro de 2015

Seguinte, esse texto não é recomendado para pessoas menores de 16 anos (ou é, sei lá), gordofóbicos, machistas ou misóginos. Também não é recomendado para meninas que tem vergonha das calcinhas, calçolas ou fios! Hahahha Quando decidi escrever sobre minhas calcinhas, fiquei pensando onde eu iria chegar. Geralmente eu não me censuro para escrever, mas confesso que dessa vez eu meio que tremi nas bases com o assunto.


Mas gente, é tão gostoso comprar calcinhas e vestir calcinhas, que começo a pensar que agora, que emagreci 65 quilos, ficou melhor ainda. Porque tudo é novo, usar bota, passar na catraca do ônibus (isso eu ainda não fiz por falta de oportunidade), sentar na cadeira do bar, usar uma saia maneira, mil coisas que a galera do grampo fala, mas meninas, vamos falar das calcinhas.

No corpo e fora delas! A revolução das calcinhas não é televisionada – nem internetada, nem divulgada, não sei por que, mas eu quero falar. Mesmo pesando mais de dez arrobas eu tentava comprar umas calcinhas mais bacaninhas, porque nem vamos pensar que gorda não tem vaidade ou não tem líbido. Tem sim, e é alvo de fetiche (como eu já escrevi), tem filme pornô com gordinhas e gordonas e acreditem, fazem sim sexo, como qualquer pessoa e não é só com o que restou da balada. Como eu mesma já contei aqui, nunca tive problemas em arrumar namorados, e sempre me senti uma mulher desejada (fora meus fãs).

Quando engordei muito mais, comecei a buscar roupas intimas que me deixassem feliz, sim, que me agradassem. Eu achava, mas é caro para caramba e eu tinha que mandar vir de SP, mesmo pagando R$ 300 num espartilho ea meia 7/8, imagine aqui em SP. Mas eu buscava as calcinhas revolucionárias.

Então, quando comecei a emagrecer, claro, se a calça não serve mais, as calcinhas começaram a cair, literalmente! E foi aí que a revolução começou! E gente, sim, quando a gente emagrece com a bariátrica as celulites (que graças ao bom Pai eu não tinha um montão, pela genética bacana de mamãe e vovó) ficaram menos evidentes ainda e a pele branquinha sem aquele monte de porcaria alimentar foi ficando cada vez mais bonita!

Daí, sabe o que é senti tesão em si mesmo? Pois é! E como eu sei que não é só comigo e sei que muita gente que emagrece ou muda algo em si, o auto-tesão é presente na vida, tudo começa a melhorar. E com isso, claro, o relacionamento a dois melhora, ô, e como melhora.

E a primeira vez que eu pude comprar uma calcinha G (lembrando que tenho a bunda de nós tudo, logo, não vai servir P nessa encarnação) foi uma festa na floresta! E comecei a tirar as roupas do guarda roupa, para dar lugar as novas até que percebi 45 novas lindas calcinhas, de tudo que é jeito, do jeito que eu sempre quis e claro, pagando muito mais barato! Foi a festa do preço baixo com a despedida do trio preto, bege e vermelho, porque esses fabricantes acham que gordinha não adora uma lingerie né!

Ah, moleque! Quando o marido chega de viagem, cada vez é uma leva diferente. Pra ele sim, por que não? E pode crer, entre as amigas e companheiras de grampo, a revolução das calcinhas, dos sutiãs e das lingeries bonitonas rola solta! Mas aí, essa revolução não vai ser relatada...

Se Deus tem o melhor para mim, imagine para você

7 de novembro de 2015

Mano, se Deus tem o melhor para mim que sou uma maluca, imagine pra você??? Imagine o que Ele tem pra você! Já parou para imaginar? É um negócio de maluco! Estou aqui pensando nessa oportunidade única que temos todos os dias de mudar as coisas, de começar de novo, de refazer, de reinventar e conseguir enxergar o que Jesus pode fazer por nós.

E estou pensando isso, porque ontem, eu estressada, depois de trabalhar 14 horas, esgotada, consegui brigar com meu marido porque ele também trabalhou para caramba, as 7h da manhã estava literalmente na pista. Ele trabalha com corrida, então é na pista mesmo (risos).

Dez da noite aqui, 11 da noite lá. Enfrentou chuva, vento, emoções a flor da pele, num lugar de pressão. Chegou no hotel e dormiu. Mano, meu marido dormiu e esqueceu de mim! Putz! Eu fiquei doida.

Eu, sendo Liziane, mandei um monteeeee de msgs, indignada com a alta da inflação e com a falta de mensagens dele. Possessa com o valor do IPTU e com ele ter dormido sem me dar boa noite.

Cheguei e fui assistir as pregações do Pastor Claudio Duarte. Foi um soco na cara né! Maluco demais, porque ele explica na palavra de Deus, o quanto temos que agradecer quando somos assim, meio Liziane, e temos alguém que nos ama assim mesmo!

E o meu marido?Ele? Ah, ele tinha que trabalhar cedo de novo, logo, só respondeu cedo com uma foto dele trabalhando (nós trocamos fotos todos os dias) e a mensagem: "Eu te amo, você é a pessoa mais importante do mundo para mim".

Fiquei só pensando: "Deus, se eu sou essa louca do pão e o Senhor me dá um marido desses, vou ficar de boas, que aí eu conquisto meu Samuel (que é nosso sonhado filho), beijos Deus, vlw, tu é um cara muito maneiro, prometo que eu não vou abusar disso não".
Amém?

Esse é o meu marido, o Josiel, e ele é um cara muito maneiro. Que bom que Deus abre meus olhos todos os dias para isso! <3

Fique a vontade, pode me chamar de gorda sim, o quanto quiser!

27 de outubro de 2015

Meu Deus, eu sinto ânsia de vômito ao ler certas coisas (Arquivo Pessoal)
Me perdoem o desabafo em uma coluna que se propõe a falar de coisas “para cima”, de alegrar mulheres e falar sobre empoderamento, mas não podemos fechar os olhos diante de tantas barbaridades que acontecem todos os dias.

Vim aqui inclusive para abrir o coração. O jornal Extra, do Rio de Janeiro divulgou no ultimo dia 21 uma matéria sobre uma estudante universitária negra, grávida de três meses e gorda, que foi vítima de racismo, machismo e gordofobia em um grupo de “graduação”.

Carla Gomes, de 21 anos, de Porciúncula, no Norte do Rio de Janeiro, cometeu um crime contra os “facistas”. Ela de decidiu comentar em uma postagem que a indignou, com conteúdo discriminatório. Sim, foi esse crime cometido pela acadêmica.

“Preta até vai, mas gorda e fedorenta?”, ou “Orca baleia” e outras ofensas pesadíssimas (nossa, que trocadilho). E eu mais uma vez tenho que escrever que sim, precisamos falar de gordofobia.

Outro dia, nos comentários daqui mesmo do Lado B, uma senhora do nada veio contestar uma opinião minha com a frase. “Eu sou homofóbica e magra, e também sou preconceituosa”. Ok, obrigada, melhor ser gorda do que podre, não é?

E qual o problema da mulher ser gorda??? Ou da pessoa ser gorda? Alguém pode me responder, nem que seja na Bíblia, no código penal ou em algum manual idiota de instruções que esteja escrito que não pode ser gordo?

O preconceito chega ao ponto das pessoas não chamarem a outra de “gordo” ou “gorda” porque soa como ofensa pior que chamar de criminoso. Tipo, é mais feio chamar de gorda do que de puta! E aliás, titia vai ensinar que não pode chamar nem de um, nem de outro ok?

E na verdade, tem dias que eu me canso disso, porque vivi e vivo tudo isso todos os dias da minha vida. Vou contar uma história para vocês aqui que aconteceu na minha vida profissional. Eu trabalhava para um grande empresário e político e acabava por auxiliar na manutenção de perfis das redes sócias e às vezes até do perfil pessoal dele.

Lembro que fiquei atônita quando uma pessoa enviou uma mensagem para ele dizendo que era para me demitir porque eu era gorda. Gente, alguém se deu o trabalho de enviar uma mensagem ao meu chefe falando que eu tinha que ser demitida porque eu era muito gorda.

Eu me lembro das palavras: ‘Você tem que demitir essa sua assessora, ela é gorda’. Confesso que fiquei sem ação e apaguei o comentário, bem profissionalmente. E depois percebi que não adiantaria, porque eram várias mensagens dessas por conta do posicionamento político que tenho.

Pensa só, alguém pedindo a demissão de alguém por ser gorda? Pois é minha gente, isso existe. E quando me dei conta que mais cedo ou mais tarde ele iria ler os inúmeros comentários em relação a minha forma física, não tive dúvidas. Sentei com ele e abri o coração. A resposta foi a melhor possível. “Não te contratei por causa da sua aparência e sim com sua competência”.

Ali, eu claro fiquei aliviada. Mas as ofensas nunca cessaram. E toda vez que eu vejo alguém fazendo o que fizeram comigo eu fico tão tristes, mas mantenho a esperança que sim, nós precisamos falar de gordofobia e de preconceito e mais ainda de humanidades.

Sem mimimi, sem chororô e com a realidade de que isso não vai mudar tão cedo, veja pelo preconceito racial que a escravidão acabou em 1888 e ainda tem gente com mente do século passado e que trata o negro como se fosse sub, ainda assim há progressos nesse sentido.

Então, não podemos desistir e temos sim que insistir em tudo que pudermos para fazer do mundo um lugar melhor para se viver e para que as pessoas percebam o quanto o outro ser humano também é importante.

E eu começo por mim: pode me chamar de gorda sim. Não sou forte, porque não sou alterofilista; não sou cheinha porque não sou balão e nem gordinha, porque isso é a maneira velada de ofender. Pode me chamar de GORDA, com todas as letras que uma gorda tem, porque o que me define não é ser gorda ou magra, branca ou negra, loira ou morena, o que me define é o que eu faço pelo mundo que vivo e pelas pessoas ao meu redor. E eu não trocaria isso por nenhum corpo de Barbie!

Beijos de luz!
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